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Workshop sobre fotoproteção reúne especialistas para discutir a saúde da pele

Palestrantes evidenciaram a importância dos produtos que previnem o câncer e o crescimento desse mercado no Brasil


A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) - por meio de sua área de Inovação e Tecnologia (ITEHPEC) - reuniu recentemente especialistas no 4º Workshop ITEHPEC “A Fotoproteção em um Mundo em Transformação”.


“Hoje trazemos aqui a discussão sobre um produto que cuida da saúde da pele da população brasileira. Além de se tratar de uma categoria importante para a indústria, representa uma preocupação muito grande que nós temos. Cuidar da saúde das pessoas é a grande missão do nosso setor”, destacou João Carlos Basilio, presidente-executivo da Associação.

A proteção solar é efetiva na prevenção do câncer de pele. O câncer não-melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Já o risco de desenvolver o tipo mais grave da doença, o melanoma, pode ser reduzido em 50% com o uso regular do produto ao longo da vida.

O país é hoje o segundo maior mercado de proteção solar, sendo que os Estados Unidos representam o principal mercado. “A 4ª edição está sendo realizada em um momento de discussões sobre as metodologias no cenário global de fotoproteção, que podem trazer impactos importantes para a indústria. Por essa razão, convidamos palestrantes internacionais para contribuir com as discussões. O Brasil é um grande protagonista quando o assunto é fotoproteção, seja pela posição geográfica, seja pela representatividade como segundo maior mercado consumidor do mundo”, aponta Marina Kobayashi, gerente de Inovação do ITEHPEC.

Esse ano, as principais novidades foram a presença de palestrantes internacionais e de um especialista em pediatria. Os diferentes perfis de profissionais vêm para completar um dia dedicado a conversas técnicas, dermatológicas e regulatórias.

A Dra. Vania Oliveira de Carvalho, presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, apresentou o Guia de Fotoproteção para Crianças e Adolescentes, desenvolvido para reunir em um único documento as principais diretrizes atualizadas para médicos que cuidam desse público. A importância do guia se deve ao fato de que existiam informações desencontradas sendo disseminadas por especialistas de diversas áreas da medicina envolvidos com pediatria. Além disso, a exposição solar até os 18 anos é, em grande parte, responsável pelo futuro surgimento do câncer de pele. “É mais difícil e, consequentemente, necessário garantir a proteção solar na infância, porque as crianças são mais sensíveis e ao mesmo tempo se expõem muito mais à radiação no seu dia a dia na hora de brincar, inclusive nas escolas”.

O americano Curtis Allan Cole, presidente da Sun & Skin Consulting LLC, falou sobre o aperfeiçoamento do teste FPS. Já as novas abordagens para a determinação do FPS foram tema da palestra de Eduardo Ruvolo, diretor de Assuntos Médicos em Skin e Sun Care da Bayer nos Estados Unidos.

O coordenador do workshop, diretor Associado da Johnson & Johnson e membro do Conselho Científico-Tecnológico do ITEHPEC, Sérgio Oliveira, palestrou sobre a importância dos métodos in vitro. “Existem, por exemplo, formulações que podem apresentar o que chamamos de fotoinstabilidade, ou seja, o seu nível de proteção pode cair por exposição ao sol. Durante o desenvolvimento de fórmulas é importante termos métodos rápidos que nos ajudem a verificar que nível de proteção estamos alcançando antes de seguirmos com testes comprobatórios em humanos, que são caros e demandam muito tempo para execução.  Assim, é de grande importância a aplicação de métodos in vitro preditivos capazes de verificar esses pontos e garantirmos a eficácia final do produto com maior assertividade, rapidez e a um menor custo para o projeto”, explicou.

Outro tema abordado pelo coordenador foi sobre as atualizações dos trabalhos da ISO em metodologias. O assunto rondou boa parte das discussões ao longo do dia, dado o momento atual de definições metodológicas que estão sendo feitas pela International Organization for Standardization (ISO), principal entidade mundial dedicada à normatização desses procedimentos.

O olhar da dermatologia sobre a proteção solar, por sua vez, foi trazido pelo Dr. Sérgio Schalka, diretor da Medcin Instituto de Pele, que apresentou pesquisas e destacou a importância do uso de tais produtos em diferentes ocasiões, derrubando mitos e orientando o uso correto. “O protetor solar, em termos regulatórios, é um cosmético e não um medicamento. Mas as pessoas vão ao dermatologista e saem do consultório com uma receita médica de protetor solar. Então é importante que aquele produto que está na receita tenha um perfil de segurança e de eficácia que seja comparável a um medicamento”, alertou Schalka na ocasião.

Os aspectos geográficos importantes na proteção solar no Brasil e na América Latina foram apresentados por Marcelo Correa, pesquisador da Universidade Federal de Itajubá. “Nessas regiões, dois fatores importantes a serem considerados pela indústria são a incrível variedade de fototipos de pele e as características de radiação UV, que são muito distintas do que as que encontramos na literatura científica mundial, que no geral são baseados em estudos feitos nos EUA e na Europa”. O especialista disse ainda que os níveis de radiação do inverno brasileiro podem ser comparados aos recordes do verão em países da Europa. “Uma evidência disso é que os números de câncer de pele no Brasil são de caráter epidêmico e isso tende a crescer à medida que a expectativa de vida também aumente”, concluiu.

Outro palestrante, Maurício Baptista, Pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre luz visível e infravermelho e a maneira como são sentidas pelas células da pele. “Sobre a luz visível, por exemplo, existe uma tendência a achar que não faz mal. Como o nosso olho tem um receptor que reage a ela, achamos que está tudo bem pois se usamos essa luz para enxergar, provavelmente significa que é segura. Mas é um raciocínio errado, já que na pele temos outros receptores, que por sua vez têm outras reações e sofrem sim os efeitos dessa luz”, elucidou o pesquisador.

Já os principais insights dos consumidores sobre proteção solar e substanciação de alegações foram trazidos por Rosana Rainho das Neves, Consultora e proprietária da Balloon of Insights. “A exposição ao sol gera ao mesmo tempo sentimentos bons e ruins. Estar sob a luz solar desperta uma sensação de relaxamento e felicidade. Mas depois vem a culpa e o arrependimento, porque as pessoas conhecem os danos.”, ponderou Rosana ao mostrar diversas opiniões da população.

Mercado

O mercado brasileiro possui grande potencial de crescimento quando o assunto é proteção solar. “Procuramos oferecer nesse evento um panorama cada vez mais minucioso e detalhado desse recorte da nossa indústria que está se tornando mais representativo e significativo”, aponta Basilio.

Pela primeira vez, em 2017, a categoria fechou o ano com crescimento. Tanto em valores quanto em volume, foi registrado um aumento de 1,8%.  O mercado de proteção solar movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano e, dentro de todas as categorias da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC), representa hoje 4,1%.

O presidente executivo acrescenta que a relevância que o segmento tem hoje pode ser atribuída a algumas conquistas gradativas da associação junto ao governo nos últimos 25 anos. “A carga tributária no Brasil é absurdamente alta, mas com os protetores solares já conseguimos avançar bastante junto às autoridades brasileiras. Em 1992 pagávamos um IPI de 77% e hoje o IPI é zero. Não foi uma redução brusca, mas ao longo dos anos fomos reduzindo até conquistarmos o IPI zero”, finaliza.

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